Dalva e Herivelto: uma história de amor
by Simone Miletic | janeiro 5, 2010 | In Globo, Minisséries, Opinião, TV Aberta | 3 Comments

Confesso conhecer pouquíssimo sobre Dalva de Oliveira e Herivelto Martins. Confesso que conheço nada com exceção de algumas músicas da cantora, que reinou nas rádios nas décadas de 30 e 40.
Havia recebido bastante material da divulgação da TV Globo e já tinha achada perfeita a caracterização de Adriana Esteves como a cantora. Isso, mais a já comprovada qualidade que a empresa sempre buscou em suas minisséries me convenceram a sentar no sofá para acompanhar a estréia.
Se, enquanto assistia a Maysa eu ia comparando a história contada na tela com aquilo que eu conhecia da cantora – o que, modéstia a parte, não era pouco – aqui minha idéia era aprender mais sobre eles.
O primeiro episódio – exibido logo após o capítulo da novela, um presente que não deve ser repetido nos episódios posteriores e que me faz temer pela minha coragem de chegar ao final – começa na mesma linha que Maysa, a partir do momento da morte de sua protagonista. Aqui, seus últimos dias de luta contra o câncer que viria a matá-la.
Numa volta no tempo vemos quando Dalva e Herivelto se conheceram e sua atração imediata. Infelizmente não sabemos como nenhum dos dois chegou até ali – não é o momento zero de suas carreiras e ambos já eram um pouco conhecidos – e o envolvimento dos dois acontece de forma muito rápida.
Acho que esse foi o maior defeito do episódio: a forma corrida como a história é mostrada em meio aos vários números musicais. Pode ter sido uma aposta apenas da estréia, se foi, foi arriscada: eu não assistira à minissérie para ver números musicais, mas seria fisgada por uma história bem contada.
A criação de estereótipos também pode ser arriscada: a Dalva mostrada pela série seria próxima da perfeição, talentosa, esposa dedicada, ótima mãe. Aquele que dá um show maravilhoso e depois coloca o avental sobre o vestido de gala para fazer macarronada para todos os amigos.
Já Herivelto é o cafajeste com mil amantes que alardeia gostar da Amélia – a tal mulher de verdade – enquanto corre atrás de qualquer rabo de saia.
Algo de positivo são as gerais que mostram o panorama do país na época, com o início da guerra e com as movimentações políticas de Getúlio. O uso de cenas em que pessoas comuns lêem jornais com as notícias ou em que os amigos do casal comentam sobre isso foi bem interessante – sem contar as ótimas músicas escolhidas para fundo.
As apostas, ao que parecem, foram grandes, tanto que a emissora esperava bater a audiência de estréia obtida por Maysa no ano passado. Mas, apenas com base neste primeiro episódio, eu não saberia apontar se terão sucesso ou fracasso.









