The Last Kingdom (O Último Reino): um final de temporada sangrento e determinante

Se eu me derramei de elogios à primeira temporada de The Last Kingdom o que dizer desta segunda, que me fez até mesmo chorar pela perda de Erik? Na verdade, até pela morte de seu irmão eu me vi chorosa. Nesta segunda temporada foram muitas as perdas e todos estes homens morreram bravamente.

Sigfried, a gente te odeia, mas te entende

E se toda a temporada foi excelente, o episódio final (no History os dois últimos) foi arrepiante, perfeito, emocionante, sangrento. Mais uma batalha inesquecível, muita dor, muita raiva.

Na verdade, como eu já havia identificado na primeira temporada, os roteiristas da séria fazem um ótimo trabalho em desenvolver a “trama principal”, deste modo, além de dificilmente termos um episódio irregular (não tivemos nenhum), as emoções vão crescendo, assim como nosso sofrimento, assim como o “espetáculo do sangue”. Não, não temos dragões, mas definitivamente não precisamos deles.

E esta temporada foi de Alfredo, Uhtred, Odda e Aethelflaed (se você conseguir escrever sem ter de consultar o IMDB te dou um beijo).

                                Alfredo e seu comentário final desnecessário

Alfredo foi aquele que não foi vilão, mas que mais irritou a gente. Se eu entendo que ele se sinta ameaçado por Uhtred – e ele tem motivos, afinal, né, Uhtred é Uhtred e ele é o Alfredo, um cara inteligente, até razoável estrategista, mas com carisma defeituoso e um tanto depressivo e uma esposa com cara de fuinha que também não ajuda -, eu fico esperando eternamente que ele entenda que Uhtred está longe de seu sua maior ameaça.

Simplesmente porque Uhtred não tem interesse em entrar na disputa pelo poder por todo o território que a vista de Alfredo alcança. Ele apenas quer acertar a cara do tio que o traiu e ter o trono de seu pai de volta e não se importaria de ajudar Alfredo quando este precisasse. Ao invés de aproveitar disso, Alfredo faz questão de ressaltar que Uhtred lhe deve lealdade e é quase seu vassalo.

Não ajuda, nada, o fato de Uhtred ter visto Alfredo decidir julgar, e com certeza condenar, Odda apenas porque é isso que se espera de um rei.

Renato Russo dizia que os bons morrem antes.

Algo me diz que Odda sabia bem melhor que Alfredo o que se espera da um rei. Odda matou o próprio filho pelo rei, pelo reino (isso é ainda mais importante) e não pode viver seu luto porque o filho era um traidor. Sim, ele pode ter cedido a bebida – e vamos dizer que esse nem foi um pecado tão sério -, mas ele jamais perdeu a perspectiva.

Ele desafiou Alfredo não somente porque não é certo um rei sacrificar o reino por sua filha (e eu lembrei de porque abandonei Scandal), mas porque dar dinheiro e homens aos daneses não era garantia nenhuma de ter sua filha de volta e ainda criaria um problema muito maior a curto prazo mesmo, não seria preciso esperar muito – e ele acabaria perdendo a Mercia de qualquer jeito.

Odda desobedeceu o rei para fazer o certo e, com sua desobediência, foi o que permitiu a Alfredo sair vitorioso e que Aethelflaed sobrevivesse. Porque Sigfried não entregaria a princesa viva. Ainda mais depois de seu irmão ter se apaixonado por ela. Odda não traiu, desobedeceu. Odda não merecia a triste morte em uma cela que teve.

Aethelflaed e o momento em que tudo muda

Ah, as histórias de amor que sabemos destinadas ao fracasso e pelas quais torcemos tanto!!! Eu fiquei absolutamente encantada por Erik e Aethelflaed, a forma como ela o suavizou e ele pode enxergar um futuro diferente de apenas destruir tudo em seu caminho, a forma como ele fez com que ela ganhasse mais confiança em si própria.

Falando em confiança: a confiança cega de Aethelflaed em Uhtread me impressionou – fiquei pensando se a adaptação para a TV acabou não cortando a parte do relacionamento dos dois que nos fizessem entender melhor toda essa fé dela nele – e contrastou absurdamente com a falta de confiança do pai dela.

Ela termina a temporada outra pessoa. Uma pessoa capaz de enfiar uma espada no coração do homem que matou o homem que ela amava, uma pessoa capaz de esconder que carrega um filho desse homem e não deixar que nada ou ninguém lhe tire isso. Ela pede a proteção de Uhtred, mas algo me diz que ela não precisará dela. Inclusive pela forma como o cafajeste do seu marido ficou olhando depois de vê-la no campo de batalha. Algo me diz que ele não se atreverá a levantar o braço para ela novamente.

                   Aethelflaed e Uhtred, diferentes de como começaram

Aethelflaed e Uhtred tem uma aliança que Alfredo talvez nunca seja capaz de entender. E aqui preciso abrir espaço para elogiar o trabalho do ator, David Dawson, afinal se eu enxerguei um Alfredo em conflito, incapaz de perceber ou aceitar suas próprias limitações, foi porque ele foi excepcional.

Finalmente, é preciso lembrar que a forma como este episódio encerra as tramas até aqui nos deixa um outro Uhtred. Como se pudéssemos enxergar rachaduras em sua lealdade, sua moral, em relação a Alfredo, principalmente porque o rei cada vez se prova menos merecedor desta.

P.S. Infelizmente temos pouca chance de ver a terceira temporada ainda neste ano. BBC e Netflix negociam a participação de cada uma na produção e existe a chance de que a Netflix se torne a única produtora. Do meu lado aqui, se o elenco se mantiver e as temporadas vierem logo, não ligo.

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