Leia o livro, assista a série: Zé do caixão

No próximo domingo, dia 26 de junho, na faixa das 23h00, o Canal TNT Séries reapresenta o seriado  Zé do Caixão, originalmente exibido no canal Space, e eu quis aproveitar a oportunidade para lançar uma nova série de textos por aqui: Veja a série, leia o livro, ideia antiga – do tempo em que The Dead Zone ainda passava na TV.

O seriado protagonizado por Matheus Nachtergaele e direção de Vitor Mafra foi inspirado na biografia Maldito – A vida e o cinema de José Mojica Marins, o Zé do Caixão, escrita por André Barcinski e Ivan Finotti, relançada recentemente pela Darkside Books.

Zé do Caixão oferece um retrato interessante do cineasta, que viu seu personagem tornar-se mais conhecido do que ele próprio, e de sua obra, dando foco especial à realização de suas filmagens e dificuldades de suas produções, além de contar como era sua conturbada vida pessoal e sua a relação com elenco, produtores e equipes de seus longas.

Série Zé do Caixão baseada no livro Maldito

Zé do Caixão, o célebre personagem criado por José Mojica Marins, entrou no imaginário do povo brasileiro ao aparecer em 1963 no filme À Meia Noite Levarei Tua Alma. Com suas roupas pretas e unhas gigantescas acabou por se transformar em um dos mais icônicos e conhecidos personagens da cultura popular brasileira.

Só que a grande verdade é que, apesar de conhecer o personagem, muitos de nós nunca vimos de fato um dos três longas que ele protagonizou e sabemos menos ainda sobre a trajetória de seu criador. E é justamente esta falha que o livro e a série suprem com méritos.

São apenas seis episódios que contam a trajetória do cineasta autodidata que enfrentou a falta de recursos e a censura para erguer uma filmografia com reconhecimento internacional no gênero terror.

A história de Mojica é contada por meio de alguns de seus principais filmes com cada episódio focado nas desventuras de sua produção: Sina do Aventureiro (1958), À Meia-Noite Levarei Sua Alma (1963), Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver (1966), O Despertar da Besta (1969), Perversão (1978) e 24 Horas de Sexo Explícito (1985).

Os seis filmes mostram diferentes momentos da vida do cineasta, a estética com que ele lidava e os períodos políticos e econômicos  pelos quais o país passava. Tudo isso é abordado ao longo da produção, que por sua vez não tem receio em mostrar que seu protagonista não era exatamente um cidadão exemplar. Mojica usou de inúmeros truques para conseguir o que precisava para trabalhar, era mulherengo, alcoólatra e fumava muito. Ele nunca conseguiu administrar adequadamente suas finanças, o que fez com que sua carreira fosse construída sempre no limite.

O ponto alto da produção é, sem sombra de dúvida, a construção da uma eficiente e crível figura de Mojica e seu personagem Zé do Caixão.

Além da recriação apurada do visual característico, a ótima interpretação de Matheus Nachtergaele consegue criar uma distinção entre criador e criatura, desde a forma de falar até a postura e o gestual. Zé do Caixão é um personagem de Mojica, um influencia o outro, é verdade, mas a distinção entre ambos é clara. O que chama ainda mais atenção nas cenas em que Mojica não está atuando, mas está vestido com as roupas de seu personagem.

Completam o elenco Ana Maria Barreto, Walter Breda, (como pais de Mojica), Felipe Solari, ex-VJ da MTV, que vive o produtor e melhor amigo de Mojica, Mário Lima, e Maria Helena Chira, conhecida por suas atuações nas novelas Ti Ti Ti e Sangue Bom, como Dirce Morais.

A biografia na qual a série se baseia foi publicada originalmente em 1998 e estava há muito tempo fora de catálogo até ser relançada em 2015 com muitas fotos inéditas, filmografia atualizada e acabamento luxuoso em capa dura. Como é de se esperar, é mais completa – são 600 páginas -, falando de sua vida desde de o nascimento, em uma sexta-feira 13, até hoje. Enquanto a série usa a produção dos filmes para falar do cineasta, no livro sua biografia ganha mais espaço.  Quem assistiu a série provavelmente ficou com um gostinho de quero mais e o livro preenche esta vontade de forma mais do que adequada.

Ambos são imperdíveis.

P.S. Post elaborado com a ajuda do maridão, o verdadeiro fã de terror aqui em casa.

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